O primeiro passo para a cirurgia
plástica é a realização de um cuidadoso pré-operatório. Nessa fase de
preparação estão incluídas a primeira consulta, uma bateria de exames clínicos
e também uma conversa franca e esclarecedora com o cirurgião.
Ao contrário do
pós-operatório, que é absolutamente diferenciado e específico, o pré-operatório
é praticamente o mesmo para todas as plásticas. E se traduz num procedimento
normalmente simples porque a maioria dos pacientes que procuram a operação
estética não está doente e não procurou a clínica para tratar de algum problema
médico, mas para cuidar de sua saúde, no seu sentido mais amplo: buscando
aumentar a sua qualidade de vida através da sensação de confiança e bem-estar
completo que só uma operação estética pode proporcionar.
A expectativa – É muito importante
que o paciente examine atentamente quais são os seus reais desejos em relação à
cirurgia que pretende fazer, realizando inclusive uma espécie de investigação
psicológica sobre suas motivações. Se possui ambições externas ao seu próprio
corpo – como, por exemplo, reconquistar um antigo amor – o paciente pode estar
iniciando o caminho para uma desilusão.
Por isso, não cultivar expectativas
muito altas assim é um bom começo. Além disso, cada pessoa reage de maneira
peculiar às cirurgias.
O processo de cicatrização, por exemplo, – provavelmente
a maior preocupação de quem pretende realizar uma plástica – tem variações
individuais e é algo que não se pode evitar. De toda incisão resulta uma cicatriz.
O que o cirurgião faz é escolher as regiões mais adequadas para escondê-las,
levando em conta as linhas de tensão da pele e os contornos naturais do corpo
buscando sempre o melhor resultado possível. Para evitar frustrações, afina,
ele tem em suas mãos um bisturi e não uma varinha de condão.
A paciente que
está consciente disso tem todas as chances de sair 100% satisfeita da clínica
de cirurgia.
O papo – esta é a grande chance para
que a paciente esclareça todas as suas dúvidas a respeito da cirurgia. E ela
não deve desperdiçar a oportunidade de, logo na primeira consulta, dizer sem
pudor o que deseja modificar em sua aparência. A partir daí, o cirurgião vai
explicar as possibilidades de concretização dos seus desejos e de que forma
eles poderão ser alcançados.
Tudo pode – e deve – ser discutido, mas num ponto
os pacientes devem se resignar: cabe somente ao médico decidir a técnica da
cirurgia. Não adianta procurar a última novidade na imprensa e na televisão
para então achar que ela se adapta perfeitamente ao seu caso. Mas muitos
detalhes podem ser adiantados e decididos mutuamente, como é o caso do tipo de
anestesia que será utilizado na operação.
Nessa primeira entrevista é mostrado
claramente – em frente ao espelho – o que a paciente vai perder ou ganhar.
Também é comum que o cirurgião recorra a fotos de cirurgias já feitas para
mostrar a localização e o tamanho da cicatriz resultante de cada operação.
Só
não é possível antecipar o grau de qualidade da cicatriz porque isso depende do
organismo de cada um.
Essa primeira consulta tem uma duração variável: muitas
vezes o tempo é determinado pela paciente e a extensão de sua curiosidade. A
maioria marca a cirurgia logo depois da primeira consulta, mas às vezes é
importante uma segunda visita para o paciente que estiver se sentindo inseguro.
E ela só deve passar à mesa de operação quando estiver 100% certo de sua opção.
Histórico – é uma espécie de
questionário e que o cirurgião verifica o passado e o presente da saúde da
paciente. Esse mapeamento médico chama-se anamnese.
Nela, a paciente relatará
as doenças que sofreu, se já foi operado anteriormente, se tem algum tipo de
alergia e se é fumante ou não. Entre uma série de outros itens, relacionará
ainda os remédios que toma porque alguns terão que ser suspensos. O importante
é que nada seja omitido e que o paciente confie a seu médico o maior número de
informações possíveis.
Os Exames – o pré-operatório inclui
análise sanguínea, exame de urina e eletrocardiograma. Dentro do primeiro serão
feitos hemograma completo – para verificar se as hemácias estão normais ou se
há sinal de anemia e ainda a ocorrência de algum tipo de infecção ou alergia –,
coagulograma completo e dosagem de glicose – que indicará diabetes, porque em
caso positivo a paciente receberá cuidados específicos durante a operação.
Os
exames de uréia e creatinina verificam a função renal da paciente e o
eletrocardiograma normalmente só é requisitado a pacientes com mais de 40 anos
de idade. A presença de cada um desses problemas pode impedir, ou pelo menos
adiar, a realização da cirurgia, especialmente se ela for de grande porte, como
é o caso, por exemplo, da associação da mastoplastia redutora com uma
abdominoplastia.
Assim, é preciso estar com a função renal preservada porque
alguns anestésicos ministrados durante a operação são eliminados via rim.
A
porcentagem de glóbulos vermelhos no sangue deve estar normal porque
eventualmente há perda de sangue. Mas cada uma dessas situações será analisada
individualmente, afinal um hemócrito baixo pode ser circunstancial e
temporário: uma consequência, por exemplo, de uma menstruação mais intensa ou
de um regime alimentar. A cirurgia poderá ser realizada assim que a situação se
normalizar.